Músicos relatam dificuldade em cenário de pandemia na Capital


Com a pandemia causada pela Covid-19 (novo coronavírus), a principal fonte de renda dos músicos, que é a agenda de shows, simplesmente secou. Isso porque bares, restaurantes e casas noturnas estão fechados há mais de dois meses.

Esta semana, o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) publicou um decreto autorizando que bares e restaurantes voltem a abrir a partir do dia 9 de junho. Apesar disso, ficaram autorizados no máximo dois músicos dentro desses ambientes. Portanto, bandas não estão autorizadas.

O cenário para os que vivem no meio musical é crítico e mudou completamente, principalmente àqueles que não tinham outra fonte de renda.

Em entrevista ao MidiaNews, o presidente da Ordem dos Músicos do Brasil em Mato Grosso, Jhonny Everson, revelou que muitos músicos que não tinham outra fonte de renda para se manter tiveram que se reinventar.

As lives realizadas pela internet se tornaram uma opção para muitos. No entanto, não têm sido suficiente para quem antes fazia pelo menos oito apresentações ou mais por mês nas noites agitadas da Capital.

“Muitos estão fazendo pequenos bicos em outros setores de prestações de serviços. Conheço músicos que montaram um pequeno mercadinho para entregar delivery, outros montaram pizzarias caseiras. Conheço também alguns que estão trabalhando com mão de obra mais simples”, afirmou.

“Não é que ele tenha uma segunda profissão, é que ele se obrigou a agora ter uma nova ocupação para garantir o seu arroz e feijão na mesa. Ninguém está parado esperando cair do céu. E ainda sim, muitos estão conseguindo receber de ações solidárias, de artistas maiores que já tinham reservas e estão conseguindo atravessar esse momento”, contou.

De acordo com o músico, muitos se solidarizam e ajudam como podem, porém a cada dia que passa a crise provocada pela pandemia se agrava mais.

A cantora Larissa Padilha diz que a sua única fonte de renda é a música. FOTO: Arquivo pessoal
“Hoje, temos ajuda de familiares, vizinhos e amigos. Rifas são feitas, ação entre amigos, enfim toda forma de contribuição possível está sendo feita. Mas eles não conseguem trabalhar com o seu ofício, que é a música, e defender o seu sustento e a sua dignidade”, lamentou.

Mato Grosso tem entre 300 a 400 músicos e muitos corroboram com o que diz o presidente da Ordem dos Músicos. É o caso dos integrantes da banda de rock Heróis de Brinquedo.

O baixista do grupo, Ricardo Moreira, mais conhecido como “Chains”, contou que tem sido bastante difícil ficar longe dos palcos e que apesar de todos terem uma segunda fonte de renda, estão tendo dificuldade com o que ganhavam nas apresentações noturnas.

Segundo ele, a banda realizava por mês uma média de 8 a 10 shows e desde a pandemia estão isolados em suas casas e realizaram até o momento duas lives na internet.

“Faz muita falta estar no palco. Sem publico não existe banda, sem consumo não há produto. Então, isso tudo é muito ruim. Nós, provavelmente, vamos ser os últimos segmentos a serem liberados nessa pandemia”, afirmou.

A banda tem aproveitado o tempo livre para compor músicas. Já foram duas novas faixas novas gravadas durante o período de isolamento social.

Já Adam José Nunes de Oliveira, da dupla sertaneja Jonathan e Adam, se viu obrigado a ficar longe dos palcos e administrar a empresa que tem com a esposa.

Desde o início da pandemia, a rotina dele mudou e tem aproveitado mais tempo para ficar com a família. Porém, mesmo com a pausa nos eventos noturnos, disse que a situação da classe de músicos é preocupante.

“Alguns recorreram à ajuda de familiares para sobreviver, outros estão sendo despejados de casa e indo morar com parentes. Surgiram as lives para ajudar. Mas a gente pede para quem puder ajudar a nossa classe, será bem-vindo, porque não temos previsão de quando vamos retornar com os shows”, disse.

Essa é a realidade da cantora Larissa Padilha, que há nove anos tem a música como a sua única fonte de renda financeira.

À reportagem, a cantora relatou que tem sido dias difíceis e que mesmo com as lives não tem conseguido renda suficiente. Ela tem contado com a ajuda de amigos e familiares.

A banda de rock Herois de Brinquedo fazia mais de 10 shows por mês. FOTO: Arquivo pessoal
“A gente tem tentado arrecadar dinheiro na internet, fazendo lives, mas eu, particularmente, não ganhei nada fazendo lives. Acho que as pessoas não estão muito preocupadas umas com as outras. A verdade é essa", afirmou.

"Todo mundo quer entretenimento, mas não estão muito preocupadas com o que está acontecendo com os artistas da terra ou os artistas que elas gostam de prestigiar”, acrescentou.

Larissa disse que a dificuldade enfrentada é a mesma por vários outros colegas de profissão e teme que as coisas não voltem ao normal tão cedo.

“A minha vida sem apresentações têm sido muito difícil, porque como a gente é acostumado e vive música, respira música, porque somos artistas... Vem até um sentimento ruim ver esse cenário. Não tem o que fazer, mas a gente tenta. Eu tenho estudado violão, mudado o repertório um pouco, e conversado com pessoas de outros Estados, que são músicos e que estão passando pelas mesmas dificuldades”, completou.

FONTE: MÍDIA NEWS
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